Uma cana para robalos

Pesco robalos usando iscos artificiais, as conhecidas amostras, outrora conhecidas por “rapalas”, sendo ainda hoje um termo usado por alguns pescadores para se referirem às amostras rígidas. “Rapala” é só mais uma marca de iscos artificiais no meio de tantas outras.

Mas pesco também com “vinis”, nas suas mais variadas formas, desde “shads” a “worms”, passando pelos “pintails”.

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São estes os dois tipos de amostra que uso quando pesco aos robalos, as “rígidas” e os “vinis”. Mas uma coisa existe em comum para estes dois tipo de amostra além do fim a que se destinam. Gosto de pescar leve, daí que não use amostras acima das 26 gramas, sendo que na maioria das vezes se situarão entre as 15 e as 22 gramas. Isto apenas se altera se o mar apresenta características que exijam material mais “pesado”, no entanto, com tantos anos de pesca já passados, hoje em dia não sinto qualquer necessidade ou vontade de me sujeitar a tais condições.

Pesco na grande maioria das vezes em praia, gosto de ter os pés bem assentes no chão. A idade já é outra, e ter família à espera em casa faz-me sempre pensar duas vezes naquilo que ando a fazer. Mesmo quando por vezes pesco a partir das pedras, são sempre pesqueiros de fácil acesso e sem correr riscos desnecessários.

Tanto pesco em mar como em rio/estuário, desde que as minhas desconfianças apontem para a existência de robalos.

Não sou um pescador que diariamente vai à procura de um exemplar, nem sou um pescador “domingueiro”. Vou quando a disponibilidade o permite, e tanto posso pescar apenas aos fins de semana durante certo período de tempo, como posso ir quatro dias seguidos ou mais de dez caso esteja de férias.

robalo

Quanto ao alvo, tal como já referi, é o robalo. Um peixe com um combate que não se estende muito no tempo, mas que pode ensaiar vários arranques violentos numa tentativa de escapar, por vezes quando já está mesmo ali quase ao alcance do “grip”. Tem uma “cabeçada” muito característica, possante mas algo lenta.

 

O que poderá à partida parecer uma descrição de mim próprio, é algo mais. Acima, estão referidas as razões que me levam a escolher determinada cana para pescar aos robalos usando amostras. O mais importante na aquisição duma cana, é para mim, conhecer-me a mim próprio como pescador e no momento da compra, pois a forma como pesco hoje poderá não ser idêntica à de há um ano atrás. Com o passar do tempo, fui-me apercebendo de certos pormenores na minha forma de pescar, e isso tanto fez surgir novas variáveis, como eliminou outras na equação que é a escolha de uma cana.

Hoje em dia não tenho grandes dúvidas quanto à cana que me vai acompanhar na próxima ida à procura de um robalo. Embora não acredite na polivalência de forma generalizada quando se falam em canas de pesca, ainda para mais para a pesca com amostras, acredito na polivalência para cada individuo. Mas é um tema que ficará para um futuro próximo. E se é verdade que a grande maioria das minhas canas estão encostadas a um canto, não as vejo como más compras. Foram canas necessárias à minha evolução, um pouco como os livros da escola que custam um dinheirão e ao fim de um ano estão bons para o lixo. Serviram não só para evoluir na pesca, mas também para descobrir a minha forma de pescar, coisa que só pescando muito e em variadas situações o consegui. É algo que não dá para concluir apenas imaginando que estamos à pesca, ou escutando ou lendo palavras de outros pescadores, por muito bons pescadores que sejam, há que estar lá. A nossa forma de pescar é nossa e só nossa, somos nós que a temos que descobrir e somos nós que a definimos e por vezes redefinimos com o passar do tempo.

Mas então como é afinal uma cana de robalos segundo a minha forma de ver as coisas ?

Revisitando as primeiras linhas deste post e tendo em conta que independentemente do pesqueiro, pesco com condições que me permitam pescar “leve”, se assim se pode chamar. O intervalo de pesos que uso está contido entre as dez e trinta gramas. E é esse o CW que defino como sendo a “maioria da minha pesca”, havendo outros cujos extremos se aproximam bastante destes valores, e que seriam alternativas perfeitamente viáveis. Convém salientar que CW está relacionado com os pesos das amostras que usamos, pelo que esta é uma característica particular da forma de pescar de cada um e não determina se uma cana será ou não mais apropriada para pescar robalos.

Segundo ponto que vou considerar, o pesqueiro. Praias, tenham elas mar ou rio pela frente, não deixam de ser praias. Apenas muda a existência ou não de ondulação. No entanto, a ondulação é algo que hoje em dia e pelos limites que imponho para realizar uma pesca em determinado pesqueiro, é algo que não tenho em conta, até porque pesco na maior parte das vezes de noite e sigo abordagens diferentes da pesca diurna. Assim enquanto inicialmente pescava com canas de 3 metros em mar aberto, hoje pesco com canas de 2.7 metros. Quando comecei a pescar em rio/estuário, adquiri uma cana de 2.4 metros pois era o tamanho de que mais ouvia falar no que diz respeito à pesca neste tipo de pesqueiros. No entanto, é um comprimento de cana do qual não gosto para pescar aos robalos. É uma cana que perde muito em poder de alavanca para uma de 2.7 metros a meu ver, e torna mais complicado trabalhar um peixe de boas dimensões. Por tudo isto, as canas com comprimento em torno dos 2.7 metros são hoje as minhas preferidas para a pesca aos robalos.

Com o aumentar das minhas investidas aos robalos, comecei a sentir a necessidade por canas mais leves. Hoje em dia, é relativamente fácil encontrar canas de 2.7m que não ultrapassem as 160 gramas de peso, pelo que penso que havendo a possibilidade de frequentemente ir três ou quatro vezes seguidas à pesca, devemos escolher canas o mais leves possíveis, usando hoje uma cana que pesa entre 130 e 140 gramas.

Hoje em dia, dou bastante mais importância ao combate do peixe do que no passado. Assim, passei a preferir canas mais macias em detrimento das mais rijas como as que usava. Isto deve-se não só ao tipo de combate oferecido pelo robalo mas também pelo facto de no carreto usar multi filamento, que pela nula elasticidade, já confere ao conjunto alguma “rigidez”. Mas falando do combate que estes peixes oferecem, uma cana mais macia é quanto a mim a mais indicada para os momentos entre a ferragem e o “encalhar” do peixe. O robalo faz um movimento da cabeça que é poderoso mas bastante mais lento que outras espécies, não tendo nada a ver com aquela luta frenética dos sargos, por exemplo. Não vejo portanto, necessidade de uma cana rápida nesta altura do campeonato. Quero sim, uma cana cuja ponteira acompanha o ritmo das “cabeçadas” do robalo. Não quero uma cana com acção de ponteira nem uma cana que seja demasiado parabólica, sendo para mim o ideal, uma cana com uma acção progressiva.

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São estes factores que quanto a mim mais pesam na balança na hora de escolher uma nova cana. Outros pescadores terão outros factores em conta, e no fim teremos ainda que obedecer a um determinado orçamento, que no entanto não altera em nada aquilo que deverá ser uma cana a pesca aos robalos, pois essas são “coisinhas” dos nossos cérebros e não das nossas carteiras.

 

 

 

 

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