LRF – Voltar atrás

LRF, essa sigla estranha, mais uma, na panóplia de “palavras caras” da pesca.

LRF significa simplesmente Light Rock Fishing, e aqui começa logo a confusão. É que grande parte de quem resolve enveredar por este tipo de pesca vem do spinning, outro “englesismo” que se traduz na pesca que fazemos com amostras, no meu caso, aos robalos, e no fundo torna este tipo de pesca como algo semelhante a um “spinning ligeiro” para os que observam distantes.

robalo

A minha visão do LRF, como encaro esta modalidade, é algo que vou descrever neste texto, que provavelmente não será curto por razões históricas.

caboz

LRF não é mais do que pesca em pesqueiros de pedra, como rochas ou pontões, em que os peixes alvo são os peixes característicos destes habitats e que na nossa costa envolve, desde cabozes, bodiões, badejos, garoupas da pedra, judias, rascassos, choupas, cavalas, carapaus, e mais alguns. E tudo isto usando apenas isco artificial, desde pequenos jerks, jigs, vinis, colheres, enfim tudo o que seja pequeno, e que terá no máximo… bem… aqui também reina a confusão e cada um atira um número. Pessoalmente e de modo a pescar efectivamente em certos pesqueiros quer pela distância a que tenho que colocar a pequena amostra, seja pela força do mar aliada a profundidades que nos meus pesqueiros podem passar os doze metros nas zonas mais afastadas mas ao alcance de uma amostra, defini o máximo nas dez gramas. No entanto, estas situações são cada vez mais uma excepção apostando em pescar aos peixes mais “aos meus pés” e deixando as grandes profundidades e maiores distâncias para pescas mais pesadas na tentativa de capturar exemplares de outro calibre, e assim poderia dizer que em LRF abrange pesos desde o “quase nada” até às cinco ou sete gramas.

vinis

O quero transmitir é que são as espécies alvo que implicam que use certas técnicas/equipamento, e não ao contrário. Ou seja, uso por exemplo uma cana com um CW até às cinco gramas porque quero apanhar exemplares que muito raramente ultrapassarão as duzentas gramas, a baixa profundidade, e aos quais deverá ser apresentada uma amostra pequeníssima. A juntar a isto, acrescenta-se ainda o facto de os toques destes peixes serem muitíssimo discretos por vezes. Daí que o equipamento tenha que ser extremamente ligeiro. Não é por colocar um jig de cinco gramas na cana que uso normalmente para os robalos, e ir apanhar cavalas que faz com que esteja a apanhar peixe em LRF.

Mas afinal, porque ando eu a tentar apanhar estes pequenos peixes, que pelas suas dimensões serão devolvidos ao meio de onde vieram ?

badejo

É aqui que entram as tais razões históricas de falava inicialmente. Posto de forma simples, tratam-se das mesmas espécies que capturava quando me iniciei na pesca, tinha eu seis anos na altura. Pescava com uma cana de 1.8 metros que para mim era enorme, com um carreto tamanho 1000 onde ia um mono filamento de 0.30mm. Usava um estralho em mono filamento 0.20mm no qual corria livre uma chumbadinha de cinco ou dez gramas e na ponta um pequeno anzol. Tão pequeno que simplesmente referia-me a eles como “anzóis de mosca”, e que iscava normalmente com aquilo que encontrava nos pesqueiros, como lapas, mexilhões, minhoca da pedra, teagem, perceves e burgaus. É a única diferença que vejo realmente para o que é chamado de LRF. Eu usava isco natural. Diferenças em termos de equipamento, apenas vejo as restrições que naturalmente existem em instantes do tempo distanciados entre si por quase quatro décadas.

sargo

O LRF é assim, uma forma de afastar a nostalgia que por vezes sinto ao recordar esses tempos em que a preocupação estava no peixe que iria apanhar, com que isco iria apanhar, onde e quando, e não com vulgares etiquetas coladas numa peça de equipamento. LRF é uma forma de estar na pesca, é um conjunto de técnicas e equipamento para se chegar a um fim, mas esse “fim” é no entanto o início de tudo e é o que define afinal que “ferramentas” vamos usar.

 

 

 

 

 

 

 

 

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