Férias de Verão 2018

As férias de verão, sempre tão esperadas e passam tão depressa. E as minhas já passaram, altura agora de fazer um apanhado do que foram afinal as minhas férias.

Para já havia um inconveniente, um pesqueiro de que gosto bastante estava carregado de limo, mas como pesqueiros não faltam por lá, e nisto de pesca, se queremos aprender temos que variar a “ementa”, resolvi apostar numa zona onde nunca tinha pescado com amostras, embora já a conhecesse bem das pescas com isco natural. Baía com bons caneiros entre muita pedra partida. A orientação do pesqueiro faz com que este aguente bem certas ondulações mais fortes. Não iria ser o caso, pois o mar apresentava-se a caír e o windguru não previa nenhum mar mais agreste. Restava-me pois, ir e fazer por enganar algum robalo que lá andasse, e nem mesmo um amigo que me disse que “agora os robalos não andam por cá” após lhe contar das minhas intenções de enganar um robalo de madrugada, me iria desanimar.

Despertador para as 5:00 para dar tempo de vestir, beber um café, fazer os três minutos de caminho e descer para o pesqueiro antes de começar a clarear. Rotina que seguiria diariamente durante as férias.

All-focus

Durante quatro dias, apenas alguns robalos sem medida e devolvidos ao mar. A baixa-mar cada vez mais próxima do clarear do dia ia fazendo aumentar a actividade, o que ia alimentando a esperança de conseguir enganar um robalo de boa dimensão. Para não arriscar partir a cana, pois já me bastava ter partido a ponteira da Crostage entalada na porta a regressar de uma pesca havia umas semanas, e também porque não me apetecia molhar os pés, o xalavar estava sempre presente. Ao quarto dia, uma prisão no fundo e quando pego no fio a forçar, o multi parte logo uns metros à minha frente. Não interessa a razão, se foi por isto ou aquilo. O importante é que agora tinha apenas cerca de quarenta metros de multifilamento 0.15 e mais uns metros de multi velho que fazia o enchimento.

Após este incidente, iria usar a Cautiva com CW das 20 às 60 gramas e 3 metros de comprimento e um carreto tamanho 4000 com multi 0.19 a estrear.

robalo2

E mais uma madrugada, mais umas dezenas de metros de ribanceira descidos sempre na espectativa, mais uma caminhada por cima de pedras e pedrinhas, e depois de colocar o xalavar no sitio onde é para ser usado lá começo a pescar. Uma nota importante acerca do uso do xalavar, este deve ser colocado no sitio onde se vai retirar um possível peixe, e não “lá atrás” onde de nada nos serve. E passados quatro lançamentos a “pancada”! Após o primeiro arranque mostra logo que de “pexito” nada tem e que é um exemplar de boas dimensões. Ora arrancava para fora, ora arrancava em direção às pedras cujas pontas vêm até à superfície.  Ligo a lanterna e passados uns segundos vejo-lhe o lombo à superfície, já perto da lage de onde pescava. Coloco o xalavar na água e à segunda tentativa consigo “agarrar” o peixe. Puxo-o para cima, pouso tudo na pedra, respiro fundo, e finalmente olho para o que tinha retirado da água. Era um óptimo exemplar. Tiro as fotos da praxe, guardo o peixe e continuo  a pescar mas nada mais senti na amostra na restante hora que lá estive.

O primeiro robalo digno do nome, é sempre aquele que me faz pensar um misto de “começaram as férias” e “as férias estão feitas”. Já em casa, na fita métrica marcou 76cm e reuniu a família toda à mesa. Como eu adoro estes “tarôlos” de Agosto.  Na madrugada seguinte ainda fui tentar a sorte mas sem qualquer sinal de actividade na zona.

peixe-lrf1

Nesse mesmo dia, e como de tarde o mar apresentava-se calmo o suficiente, peguei no material de LRF e fui testar as sandworms Gulp que já tinha havia algum tempo mas ainda sem ter sequer aberto a embalagem. Resolvi não inventar muito, e usei uma montagem em drop shot com anzol a cerca de 30 centimetros acima da chumbada e por vezes dava alguma folga ao fio para que o isco afundasse ficando assente no fundo e assim ia percebendo como andava o peixe a comer. No primeiro pesqueiro selecionado não sinto qualquer toque, tendo mudado para outro a cerca de cinquenta metros ao lado. Neste já dei por algumas investidas ao isco, no entanto, sem capturas. Nova mudança de pesqueiro, desta vez com sucessivos ataques e alguns bem violentos. Primeira captura e os ataques violentos ficam explicados… uma pequena garoupa da pedra. Mais alguns jogos do gato e do rato, e sai nova garoupa da pedra. O sol já ia baixo, e volto ao pesqueiro anterior.

Alteração de estratégia e desta vez lanço um pequeno jig de 7gr, testanto várias profundidades. Quando já pensava que ia acabar por enrocar de tão fundo que estava a recolher o jig, eis mais uma captura. Era uma cavala, e pelo jeito andariam fundas. Seguiram-se mais duas, mas já com muito pouca luz natural tinha chegado o momento de subir a falésia e voltar a casa, já com a ajuda da luz do frontal. Um último olhar ao mar que parecia querer manter a mansidão por mais uns dias, pelo menos a avaliar pelo sinais que se viam por fora.

 

 

Nova madrugada, e volto ao local onde tinha finalizado a tarde anterior. No local e mesmo com o mar quase “chão”, há sempre umas zonas onde se criam alguns zonas de espuma e poderia andar por ali à primeira luz do dia, algum robalo. Mas o resultado foi nulo. Sigo para outro pesqueiro mais ao lado e coloco um spotter de 7” com cabeçote de 10 gramas e vou lançando. Assim que o vinil toca na água retiro fio da bobine, para que o vinil caia o mais vertical possível… não quero perder distância do lançamento. Vou então recolhendo de forma a que o vinil venha sempre o mais próximo do fundo. Naquele sítio e com aquele mar, já não são os robalos o objectivo. Passados cerca de trinta minutos de tentativas sem um toque que fosse…. taruz!

Primeira corrida para fora e o carreto a debitar fio zzzzzzzzz… Não vale a pena contrariar. A única coisa a fazer é levantar a ponteira na esperança do fio não passar numa pedra. O drag silencia-se e é hora de tentar trazer o peixe para meia água longe dos blocos de pedra que estão lá no fundo, mais de de dez metros abaixo da superfície. Recolho algum fio e novo arranque, sempre violento, sempre a querer ir na direcção do fundo. A minha única preocupação é que o peixe não alcance as pedras do fundo, o resto é o equipamento a dar conta do recado.  Após algumas corridas do peixe, começo a ver-lhe a lateral, brilhante e alta, a três ou quatro metros de profundidade. O mais complicado está feito, trazê-lo para longe dos blocos de pedra que existem no fundo. agora é tentar cansar mais um pouco o peixe que parece nunca se cansar. O xalavar está ali ao lado mas opto por aproveitar uma “águazinha” e encalho-o numa pequena rampa que a pedra faz mesmo ali aos meus pés. Com a cana na mão e o fio sempre em tensão desço aquele metro que me separa do peixe e agarro-o, colocando-o de imediato para local mais seguro. Dou a pesca por terminada, pois é hora de ir acordar o pessoal para ir para a praia. Para casa levo um belo pargo.

Os dias iam passando, as horas de pesca iam-se acumulando e entretanto como não havia meio de apanhar o mar como eu queria para as investidas com o material de LRF, aproveitei uma ida à praia na costa sul algarvia onde o mar é mais parado, e lá fui fazer nova tentativa com as sandworms Gulp. Mais uma vez observei muito fraca actividade de peixe alvo do LRF, e as capturas resumiram-se a uma judia e um pequeno caboz.

 

 

 

 

E já com as férias quase no fim, o mar acalmava e a água tornava-se mais limpida, e por isso voltei a tentar as zonas fundas. Ainda não tinha testado convenientemente as Megabass Xlayer Curly e por isso dediquei-lhes algum tempo. Montei um cabeçote de 10 gramas numa e lá passei o clarear do dia a pescar com o dito vinil. Numa das recolhas, e cerca de 10 metros à minha frente com uns 7 ou 8 metros de profundidade e já com o vinil a meia água no meio do espumeiro, sinto um toque e em seguida um ataque franco.

 

 

Era um robalo com menos de 2 palmos e foi devolvido. Mais uns lançamentos mas sem sentir qualquer toque e desloco-me a um pesqueiro uns 50 metros ao lado. Não é um pesqueiro fácil, e é preciso alguma precisão no lançamento. Além disso a recolher um peixe é preciso evitar que encalhe num degrau que a pedra faz. Ao segundo lançamento ferro o que parece um bom robalo, controlo a recolha para que possa passar o degrau com a passagem de uma onda, no que sou bem sucedido. Só falta sítio para o retirar da água. De onde estou o xalavar não alcança a água, para a direita não tenho ângulo sem que o fio roce na pedra, e no lado esquerdo o mar ainda invade a pedra e é impossível levá-lo além dessa zona pelas pedras que lá existem. Decido arriscar a cana e levantá-lo a peso. Trago-o até junto da pedra mas tenho que pará-lo a preparar para o içar convenientemente. O mar entra com força, leva o peixe a bater na pedra e acaba aí. O vinil sobe disparado após o robalo escapar. Coisas que acontecem, e volto à pesca mas sem mais qualquer sinal de peixe.

E assim se passaram mais umas férias de verão. De estranho ou talvez não, apenas a grande ausência dos peixes alvos em Light Rock Fishing, mas com a instabilidade climatérica deste ano, não é de admirar. Dois vinis a estrearem-se, o Spotter da Ra’is com um pargo e a Xlayer Curly com robalos. O kizuto da YKR mais uma vez a fazer das suas com os robalos, sendo um deles o maior exemplar destas férias. Algo que também se revelou excelente na pesca em falésia foi um vadeador velho que tenho e ao qual tinha cortado as meias de neoprene pois com o desgaste já entrava água. Trata-se de um Hart Clima 3. Assim, estive protegido dos salpicos e com total liberdade de movimentos por já não estarem presos no pé. São simplesmente umas jardineiras para a pesca, mas que deram muito jeito

 

 

 

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